Agosto 21 2009

 

 

Escrever para mim é isto. É tentar ter a cabeça e o coração sempre ligados, numa espécie de comunicação da alma com o corpo. Escrever é dizer e fazer o que nos apetece e depois termos que confessar ao papel os nossos actos. Escrever é dos actos mais naturais e também mais hostis que eu conheço. Escrever comporta hostilidade porque existe um tanto de sofrimento quando se escreve, uma frase que é dita e que nos é dolorosa, uma palavra que nos desperta o enxame que tínhamos guardado religiosamente nas profundezas do nosso Ser. Depois de escrevermos o Mundo não fica o mesmo: primeiro sou eu que me modifico porque não sou eu mesmo… Quando Escrevo. Um livro, uma frase, uma palavra têm a magnífica capacidade de mudar o Mundo através da mudança de ideias.

 Escrever traz consigo, também, algo de companheirismo de modo que parece que temos que “prestar contas” com um Ser que se desconhece mas que nos controla à distância. Sendo assim, escrever é portanto um acto de escravidão: é uma questão de termos nascido para Escrever ou não, quase uma coisa de invalidez pelo nascimento e depois pronto durante toda a vida saem umas coisas às quais convencionalmente chamamos como “Escrita”, umas coisas que estupidamente e todos vaidosos mostramos aos amigos e eles dizem que não tem fundamento nenhum. Escrever é aquilo que faço agora a uma velocidade estrondosa e alucinante cujo bater das teclas me embala ao longo do teclado e sinto o coração irado e com vontade de estoirar! Escrever é dizer que sou capaz de mudar o Mundo porque quando se escrever, o Sonho materializa-se! Sou escritor e nunca escrevi nenhum livro. Sou escritor e sempre vivi neste meu recanto, com 22 anos feitos, um curso para terminar e com um trabalho que sempre me dá para ir comprando timidamente uns livros, acto que me incita a tentar esboçar alguns tiques de intelectual. Mas, ainda assim, tenho a ilusão mais infantil de me considerar como escritor, convencido que estou de que cada um de nós transporta consigo um ente semi-escondido de Escritor. E Escrever, meus caros, está muito longe de escrever livros ou de ser autor de um best-seller: os grandes escritores são antes de tudo aqueles que sempre foram fiéis aos momentos mais íntimos de partilha dos seus sentimentos entre duas pessoas: o Próprio e esse Ser que se desconhece mas que nos controla à distância.

publicado por Simao_psi às 23:11

Ficou muito legal esse blog
STEPHANIE a 2 de Setembro de 2009 às 12:29

Eu sei que não vais ler isto lool mas já sabes perfeitamente a minha opinião desde que tenho conheço que sempre achei que escrevias muito bem.
Por isso digo não sei bem qual a definição certa de escritor mas para mim tu es um escritor e muito bom!!
beijoquinhas
Sara a 17 de Outubro de 2009 às 14:16

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