Agosto 26 2007

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 "Tudo o que Faço ou medito

Fica sempre na metade.

Querendo, quero o infinito

Fazendo, nada é verdade."

 

 

 

 

"Que nojo de mim me fica

  Ao olhar para o que faço

  Minha alma é lúcida e rica

  E eu sou um mar de sargaço"

                                                                                                        

 

 

 

 

"Um mar onde boiam lentos

Fragmentos de um mar de além...

Vontades ou pensamentos?

Não o sei e sei-o bem."

 

 

 

 

 

 

         É assim que o génio Fernando Pessoa define a alma humana: uma totalidade complexa aspirando, não ao máximo, mas ao infinito. Os pensamentos, as emoções do Homem confrontam-se com uma realidade que é preconceituosa, injusta e desajustada com a nossa sede de absoluto.

        Este poema poder-se-ia reduzir a uma única frase: existe, indubitávelmente, um grande abismo entre o que a alma quer e a vida nos dá. Essa situação de confronto entre a alma e a realidade está bem patente em todas as esferas da actividade humana, tais como na Religião, na Ciência, nas nossas decisões profissionais, nas nossas acções, desde as mais simples ás mais complexas.

        Tomemos como exemplo a Ciência. Tanto que o Homem queria saber e não sabe, tanto que ele queria descobrir e não descobre, tanto que ele queria conhecer e não conhece.

        Acredito, fortemente, que a "dor da alma" que existe no Homem, a sua falta de alegria, a sua angístia, o desespero são o produto final de um acumular de "guerrilhas" entre a alma humana e a realidade. A inquietude do Homem face aos seus próprios actos prolifera, tal como um pintor que quando acaba a sua obra acha sempre que lhe falta algo, uma espécie de "retoque final inalcansável".

       Em suma, não existe água que mate a sede da nossa alma. Quanto gostaríamos de ser e não somos, quanto gostaríamos de fazer e não fazemos, quanto gostaríamos de dizer e não dizemos. Limitamo-nos a ser "um mar de sargaço".

 

 

publicado por Simao_psi às 16:39

Olá!!

Ótimo comentário desse belo poema de Fernando Pessoa! De fato, a busca humana por algo maior e mais pleno é infinita! Mas algo me diz que se buscarmos com sinceridade, poderemos algum dia sair dessa condição de um mar de sargaço...

Abraços!
Marcel a 18 de Fevereiro de 2008 às 14:09

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