Agosto 26 2007

      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       Porque não há nada mais melancólico e sentimental que os domingos, hoje, porque é domingo, decidi escrever.

       As casas enchem-se de visitas, a rua têm muitos carros estacionados, só há algumas casas que não têm ninguém. É aos domingos que o meu Maia joga. É aos domingos que os velhotes se deslocam com a sua boina, as suas calças velhas de fazenda (parecem mais velhas do que eles, imagine-se!), vão ver o futebol (vão ver a bola, dizem eles), na esperança de aliviar a sua angústia, o seu cansaço existêncial, a sua morte quase tão próxima, e enquanto isso eu aqui sentado acho a velhiçe uma coisa horrível, algo terrível. Uma pessoa olhar-se ao espelho e não sermos nós, sermos passado, sermos saudade, sermos tudo (uma tentativa se querer ser tudo) para compensar aquilo que não fomos.

       É aos domingos que sinto os aromas da verdadeira comida portuguesa: mulheres de avental fazendo apetitosos almoços para darem ás visitas. Depois ouvem-se os sinos: é também o dia oficial da missa.

       Domingo é domingo. Domingo é eu olhar para a rua e não ver praticamente ninguém (pelo menos na minha rua é assim). É eu sentar-me no beiral da janela do meu quarto e reparar nas casas e ver através das janelas pessoas falando umas com as outras, falando de um modo e de um jeito que se percebe, mesmo não ouvindo o que dizem, que se trata de um domingo.

       Domingo de tarde é ouvir: "golooooo!" do estádio do Maia quando o Maia marca.

       Aos domingos o chilrear dos pássaros é diferente. É mais intenso.

       Nos verões, os domingos também são diferentes dos outros dias da semana: ouvem-se o zumbido dos mosquitos, o tilintar das louças nas cozinhas e o silêncio das ruas.

       É ao domingo e só ao domingo (raios partam o domingo!) que varia tudo o que me rodeia, a rotina, os pássaros, as casas, menos eu... É ao domingo e só aos domingos que olho para o fundo da rua, naquela altura em que as coisas trespassam a barreira do visível, que me lembro de ti. Prometo-te que é só aos domingos, é só aos domingos.

 

publicado por Simao_psi às 17:24

Simao... tou absolutamente rendido a tua escrita. es sem duvida o novo Lobo Antunes! Rapaz continua assim, vais no bom caminho, no caminho que te vai conduzir a coisas mt boas. Até poque tu mereces! És um grd amigo, um amigo k tenho pena de ter perdido contacto desde o 12 ano (sim, sou o pedro do teu 12 ano hehe). Rapaz tu nc penses k n queres xegar mais longe, pk tu com a tua ambiçao, com os teus ideais (e nc sejas infiel a estes) e com a tua sede de conhecimento e de vencer, ng te para! Do teu bom amigo, Pedro
Pedro a 10 de Setembro de 2007 às 12:22

txiiii... não me acredito que tu rapaz andas por aqui pelo meu blog... obrigado pelo comentário e pelos elogios que me fizes-te. Pah tu também és um grande amigo, apesar da distância e das circunstâncias da vida. Espero que esteja a correr tudo bem contigo rapaz, tu também mereces ter sorte na vida! Um grande abraços para o meu grande amigo benfiquista Pedro Sousa, hehe.
Simao_psi a 11 de Setembro de 2007 às 13:57

Mas que boa coincidência foi encontrar este blog !!
A simplicidade com que escreves, a forma como consegues transportar sentimentos, emoções é notável!
Não será necessário dizer o quanto gostei dos teus textos (alguns, vá. Os restantes tenho de ler, ainda :P)
Agora lá terei eu de ser uma leitora assídua (oh, que chatice!!! :))

Um beijinho para ti*

Diva a 28 de Março de 2009 às 01:57

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