Agosto 27 2007

 

 

Como poderei adivinhar o que queres. Saímos á noite, não dizes nada. Ficas calada no carro, só se ouve o barulho do rádio baixinho (tu sabes que eu gosto do rádio baixinho quando passeio á noite no carro; dá um toque mais romântico, sei lá…), o barulho do silêncio que se faz entre nós. Poderei lançar um: “que se passa? Estás aborrecida comigo?” quando acho que é ridículo perguntar, acho ridículo a tua possível resposta (será que respondias se te pergunta-se?), talvez nem te desses ao trabalho disso.

            A vontade de parar o carro e beijar-te é enorme. Parar com todo o sofrimento da minha inutilidade, o grito que quanto mais alto é menos audível se torna, vontade de te agarrar e dizer-te que é contigo que quero estar, é contigo que quero viver cada momento presente, porque não adianta de nada os planos, nem as relações nutridas por eles. Não percebes que detesto compromissos, que os compromissos são invenções humanas que deteoram as relações, autênticos vírus de relações, doenças infecciosas que atingem a essência do que é, na minha óptica, o amor puro!

Os malditos compromissos existem devido á insegurança humana: há sempre necessidade de assegurarmos algo que desconhecemos… desconhecemos o amanhã, por isso temos que nos “comprometer” com ele, uma espécie de certificado de segurança. A insegurança humana é tão alta que faz diminuir o amor puro, o amor verdadeiro.

 Na minha opinião devíamos privilegiar o momento presente, não só nas relações, mas sim em tudo na vida. Por vezes estamos influenciados pelo passado e somos quase que engolidos por ele, quer a recordação desperte sentimentos ou acontecimentos positivos ou negativos. Relativamente ao futuro há sempre uma grande incerteza, uma necessidade de o segurarmos devido á nossa insegurança permanente.

Tomemos como exemplo as companhias de seguro. Reparem no nome: “Fidelidade”, “Mundial Confiança”… enfim, tudo nomes que garantem uma vinculação com o futuro. Será possível a nível filosófico manter uma vinculação com algo que não existe? O Futuro é sempre um horizonte.

Permaneces calada. Talvez penses que a culpa é toda minha, que a culpa é da minha arrogância em não querer compreender-te. Talvez penses que um simples “compromisso” iria resolver as coisas, iria resolver todas as coisas do mundo. Não te enganes desse modo. Repara no quão ridículo são os namorados de hoje. Como refere um grande intelectual da nossa sociedade contemporânea, Miguel Esteves Cardoso, os namorados são autênticos “romanticidas do amor”, “incapazes de um gesto de ousadia”. Realmente a ousadia é algo que as relações humanas não se podem orgulhar. Estão imbuídas num sistema social totalmente deteoriado e corrupto e deixam-se guiar por ele. Será possível amor sem ousadia? Sem um rasgo de aventura? Haverá amor mais puro que esse? Será o amor totalmente planeado (ridículos todos os planos que se fazem na vida!) o amor mais salubre? O amor não se compadece das mesquinhezes humanas, das suas inseguranças, nem das suas limitações. Porque na minha definição de amor, devemos viver cada momento como se fosse o último e irrepetível, como se não existisse amanhã, como se fossemos morrer hoje. Partindo deste pressuposto básico, o futuro não existe e o passado não entra neste esquema também, por isso, todas as energias estão canalizadas na realidade vigente, o presente, e isso fortalecerá o amor.

Talvez nunca me compreendas, talvez nunca sejamos nada ou eventualmente tudo. Talvez quando estejas comigo penses que só quero usufruir o momento presente e estou-me borrifando para tudo o resto, quando de facto não é verdade, quando de facto eu gosto de ti, quando de facto acho que não consigo viver cada momento sem estar contigo, acho que me hipnotizas-te no tempo, eternizaste-o e deixaste-me louco pela tua presença constante, neste momento presente.

publicado por Simao_psi às 14:04

olá Simão!!!!
Ao ler este post quase que chorei porque vi nele a minha historia e muito dos sentimentos que eu não consigo canalizar e que me estão a roer por dentro. A "Cena" onde eu ja ouvi e vivi isso!!!
Essa rapariga não te devia fazer sofrer assim pelo que eu me lembro de ti tu es um rapaz fantastico. E quem perde é ela.
bjs fofos
Sara Beatriz a 27 de Agosto de 2007 às 17:12

Olá Sara! Há quanto tempo não te vejo. Espero que esteja tudo bem contigo. Obrigado pelo elogio... é bom quando nos revemos nas histórias dos outros, quando nos apercebemos que de facto não estamos sozinhos a sentir as emoções. Obrigado pelo teu comentário. Um grande beijinho, continuação de boas férias, Simão.
Simao_psi a 27 de Agosto de 2007 às 19:55

iiiiiiiiii pah! andamos a ler muito Lobo Antunes! o pior é que é verdade!! compromissos - palavra estupida como que só por si enrreda-se 2 pessoas pra vida toda! provavelmente foi criada para diminuir a incerteza face ao futuro com a outra pessoa. E isto porque? porque nao existe cumplicidade entre as pessoas!! estao mais preocupadas com o que se irá passar daqui a uns 20 anos ou se terao os bolsos cheios de material que dizem que tem um certo valor! e depois ainda somos responsabilizados pelos desaires futuros da pessoa que supostamente queremos que nada de mal lhe aconteça! porra que injustiça! e o pior é que depois de isto tudo é que ainda temos que fazer tudo pra agradar à pessoa que supostamente tambem nos poderia agradar nao?!! e no final de tudo fica duas pessoas sem se falar, chateadas e deixam de se conhecer e passa a ser uma pessoa como as outras ou ainda pior (detesta-se essa pessoa? talvez! detestar nao mas provavelmente repudio! sim é isso!) simao e sabes de quem é a culpa destas porras todas? é das emoçoes! sempre te disse - porque é que a nossa pequena massa cinzenta nao se subrepoe à porra do sistema limbico? - pois se nos deram racionalidade porque nos deram emoçoes? é para colocar os miolos a funcionar de forma a ultrapassar a porra das emoçoes! um senhor há aqui uns tempos disse isto " O amor nada mais é do que um estado agradavel, a alegria, acompanhado pela ideia de uma causa exterior." - Espinosa. Nao é que o Espinosa já em 1677 ja sabia que o amor nao passa de uma coisa passageira que pode ser destruido pela outra pessoa!
bem ja me alonguei mais do que devia, isto vai anonimo mas tu deves saber quem deixou este comente a mandar vir com as emoçoes nao? lol
Anónimo a 28 de Agosto de 2007 às 18:23

Ao reler este post passado tanto tempo só posso dizer como a vida é ironica!!
Como a vida da voltas!
O tempo passou e muita coisa mudou, hoje tudo é diferente, hoje tudo é melhor e mais bonito!!
Hoje tamos felizes :P
Hoje somos pessoas comprometidas e felizes!!

E eu digo ser comprometido é bom e faz-me feliz e eu sei q a ti tambem!!

Não sei a historia deste post nem me interessa muito!

o que me importa msm é que a vida é ironica! Muito msm!!

beijinhos
Sara Beatriz a 7 de Novembro de 2009 às 19:45

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